quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

sarcasmo
(grego sarkasmós, -ou)
s. m.
s. m.
Ironia amarga e insultuosa. = ESCÁRNIO


transparência
(transpar[ecer] + -ência)
s. f.
s. f.
1. Qualidade do que é transparente. = DIAFANEIDADE
2. Superfície ou tecido transparente.
3. Película ou folha de material transparente onde se escreve ou imprime o que se destina a ser reproduzido com um .retroprojetor. = ACETATO

       Duas palvras, como no conto de Isabel Allende, somente duas palavras. Mas com significados totalmente diferentes, faz-se uso delas em situações diversas, com objetivos contrários.
       A primeira, sarcasmo, como a definição bem explica, é usada quando se quer insultar, ferir e, porque não dizer, tripudiar. Sua utilização pode vir devido aos mais variado fatores, se formos analisar detidamente o que leva alguém a desejar insultar outro. Talvez por insegurança, o que seria compreensível, uma vez que não se ataca quem não oferece perigo, ou autoafirmação: preciso mostrar o quanto sei ser sarcástico, como sei fazer uso das palavras, arranjá-las de uma maneira que venha a comprovar, até para mim mesmo, minha habilidade. Ou por rancor, quem apanha, ou pensa que apanhou e não elaborou, precisa bater de volta.
       A segunda, transparência, definida como "qualidade do que é transparente", e poderia completar com: aquele que se deixa ver, que não se esconde, não se camufla e que, finalmente, não precisa usar de sarcasmo, porque faz e diz exatamente tudo o que pensa ou faz. O transparente não tem receio de visualizações e, muitas vezes, pode deixar margem a interpretações equivocadas mas, ainda assim, continua sem se esconder atrás de uma agressividade dissimulada, não precisa atacar para se defender. Aliás, nem sequer se defende, porque simplesmente não precisa, seus atos  e palavras falam por si, não guarda rancores ou alimenta mágoas, e suas feridas aparecem expostas, sem pudores.
       Semanticamente podemos conhecer ambas, associar a comportamentos, situações ou mesmo pessoas que tenhamos conhecido. Mas, e volto a usar uma expressão de que gosto muito, e a habitação da palavra? Assim como só compramos uma roupa e a usamos antes de um prévio exame diante de nossos espelhos, da mesma forma escolhemos as palavras e atitudes conforme o sentido que lhes atribuímos. Habitamos plenamente o sentido das palavras.
       Prefiro, particularmente, a segunda. Por que? Pelo sentido e pela tranquilidade que me proporciona, por saber que ainda que não seja agradável a todos os que enxergam através, é exatamente isso o que estão vendo, gostem ou não. Da primeira, só conheço a semântica e prefiro não fazer uso.
       Poderia ter incluído mais uma palavra para explorar o sentido: respeito. Bonita em seu significado e que serve até para  justificar, ou não, o uso das anteriores na plenitude de seu sentido.
       Já tenho as minhas, escolha as suas !!!
      
      

6 comentários:

Surian disse...

Muito bom texto, Kátia...precisamos dar sentido a esse "habitar palavras"...gosto de "habitar os silêncios..."
Abraços e continua nos presenteando com tuas lindas palavras...!
Surian

Kátia Moller disse...

Obrigada querida Su, só quem sabe habitar consegue viver a plenitude. Beeeijo

Anônimo disse...

Parabéns Kátia.

Kátia Moller disse...

Obrigada ... anônimo.

Jana disse...

Já escolhi a minha...TRANPARÊNCIA.Sou assim e não sei ser de outro jeito.
AMEI.

Kátia Moller disse...

Por isso Jana, minha imensa amiga, que TE AMO!!!

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